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Aeroporto de Vitória inicia complexo solar de R$ 20 milhões

Aeroporto de Vitória inicia complexo solar de R$ 20 milhões

**Projeto terá quatro usinas, cerca de 8 mil módulos fotovoltaicos e capacidade estimada para suprir toda a demanda elétrica do terminal de passageiros.**

O Aeroporto de Vitória Eurico de Aguiar Salles iniciou, em 1º de julho de 2026, a construção de um complexo de geração solar dentro do sítio aeroportuário.

O projeto da Zurich Airport Brasil receberá investimento de R$ 20 milhões e deverá entrar em operação completa em fevereiro de 2027, após a conclusão das obras, conexão à rede elétrica e homologações necessárias.

O empreendimento será formado por quatro usinas fotovoltaicas, com aproximadamente 8 mil painéis e potência instalada total de 5,787 MWp.

A previsão é produzir 769 MWh de energia por mês, volume apresentado pela concessionária como suficiente para atender 100% da demanda do terminal de passageiros.

Complexo ocupará 7,2 hectares do aeroporto

As placas solares serão distribuídas por diferentes áreas do sítio aeroportuário, ocupando aproximadamente 7,2 hectares.

Segundo informações divulgadas durante o lançamento da obra, os locais escolhidos não exigirão supressão de vegetação.

A maior área prevista fica paralela à Rodovia Norte-Sul e terá cerca de 5,27 hectares. Outros conjuntos ocuparão áreas menores dentro do perímetro administrado pelo aeroporto.

A distribuição em mais de um ponto permite aproveitar espaços disponíveis sem concentrar todo o sistema em uma única instalação.

As obras deverão durar aproximadamente oito meses e gerar cerca de 100 postos de trabalho diretos e indiretos.

O cronograma considera não apenas a montagem dos módulos, mas também infraestrutura elétrica, conexão, testes e autorizações para a entrada em operação.

O que significam 5,787 MWp e 769 MWh

Embora apareçam juntas, as duas unidades medem aspectos diferentes do projeto.

Potência instalada

Os **5,787 MWp**, ou megawatts-pico, indicam a capacidade máxima nominal do conjunto de painéis em condições padronizadas de incidência solar e temperatura.

Esse número não significa que as usinas produzirão 5,787 MW continuamente. A geração varia conforme horário, nebulosidade, temperatura, orientação dos módulos, perdas elétricas e períodos de manutenção.

Energia produzida

Os **769 MWh mensais** representam a quantidade estimada de energia que o complexo poderá gerar ao longo de um mês.

De acordo com a concessionária, o volume seria equivalente ao consumo de aproximadamente 5 mil residências, considerando uma média de 150 kWh por imóvel a cada mês.

O aeroporto ficará desconectado da rede elétrica?

As informações públicas não indicam que o Aeroporto de Vitória passará a funcionar de forma isolada da rede de distribuição nem mencionam a instalação de um sistema de baterias de grande porte.

Por isso, a afirmação de que a geração atenderá 100% do consumo deve ser compreendida como uma equivalência entre a energia prevista para ser produzida e a demanda elétrica do terminal. Isso não significa necessariamente que os painéis fornecerão, de forma instantânea e exclusiva, toda a eletricidade utilizada durante as 24 horas do dia.

Durante a noite, em períodos de baixa geração ou em situações de manutenção, a rede elétrica continuará sendo importante, salvo se o projeto incorporar sistemas de armazenamento ainda não detalhados publicamente.

Também é importante diferenciar o **terminal de passageiros** de todo o sítio aeroportuário.

O material oficial da Zurich Airport Brasil afirma que o complexo produzirá energia equivalente a 100% da necessidade do terminal, sem apresentar, até o momento, um balanço técnico detalhado de todas as instalações e atividades existentes na área aeroportuária.

Redução estimada de emissões

A expectativa apresentada para o projeto é evitar a emissão de aproximadamente 505 toneladas de carbono por ano. Segundo a divulgação, o resultado seria comparável à absorção anual realizada por quase 4 mil árvores da Mata Atlântica.

O cálculo representa uma estimativa baseada na substituição de energia de outras fontes pela eletricidade solar. O resultado efetivo dependerá da produção real das usinas, da disponibilidade do sistema e da composição da matriz elétrica utilizada como referência.

A instalação amplia uma série de medidas ambientais adotadas no terminal capixaba. Desde 2024, o aeroporto utiliza um sistema que fornece eletricidade para aeronaves estacionadas, reduzindo a necessidade de funcionamento das unidades auxiliares de potência dos aviões ou de geradores movidos a combustível durante parte da permanência em solo.

O que é uma unidade auxiliar de potência

A unidade auxiliar de potência, conhecida pela sigla APU, é um pequeno motor instalado normalmente na parte traseira da aeronave.

Ela fornece eletricidade e ar comprimido quando os motores principais estão desligados.

Embora seja essencial em várias situações, seu funcionamento consome combustível e produz emissões e ruído. Quando o aeroporto oferece energia elétrica externa adequada, a aeronave pode manter parte de seus sistemas funcionando sem depender continuamente da APU.

Painéis solares dentro de um aeroporto exigem planejamento específico

Um complexo fotovoltaico instalado dentro de um sítio aeroportuário não pode ser tratado como uma usina construída em um terreno comum.

O projeto precisa considerar áreas de segurança das pistas, superfícies de proteção, circulação de veículos, acesso das equipes de emergência, manutenção, drenagem, sistemas de comunicação e possíveis interferências com as operações aéreas.

O RBAC 154, regulamento da Agência Nacional de Aviação Civil para o projeto de aeródromos públicos, aplica-se às pessoas e organizações envolvidas na construção, operação, exploração e manutenção dessas estruturas. O texto estabelece que objetos próximos às áreas operacionais não podem colocar aeronaves em risco.

Reflexos e ofuscamento

Um dos pontos avaliados internacionalmente em instalações solares aeroportuárias é o risco de reflexos intensos na direção das cabines das aeronaves ou da torre de controle.

A Organização da Aviação Civil Internacional reconhece que sistemas fotovoltaicos são uma alternativa técnica e economicamente viável para aeroportos, mas recomenda que cada projeto examine possíveis efeitos de ofuscamento conforme sua localização.

Nos Estados Unidos, a FAA exige a avaliação do impacto visual de determinadas instalações solares sobre pilotos e controladores de tráfego aéreo. Isso não significa que os painéis sejam incompatíveis com aeroportos, mas que orientação, inclinação, revestimento e posicionamento precisam ser definidos com atenção.

Os documentos divulgados sobre Vitória ainda não apresentam ao público os estudos detalhados de reflexo, conexão elétrica ou compatibilidade aeronáutica. A ausência desses documentos na divulgação pública não indica que as análises não tenham sido realizadas; significa apenas que seus resultados técnicos não foram disponibilizados nas fontes consultadas.

Vitória se junta a Macaé e Natal

Com a conclusão do complexo, Vitória deverá se juntar aos aeroportos de Macaé, no Rio de Janeiro, e Natal, no Rio Grande do Norte, entre os terminais administrados pela Zurich Airport Brasil com projetos voltados à equivalência entre geração renovável e consumo de energia.

A estratégia demonstra como áreas aeroportuárias podem ser utilizadas para produzir energia sem interferir diretamente nas pistas, pátios e terminais. Aeroportos possuem consumo contínuo de eletricidade, necessário para iluminação, climatização, inspeção de bagagens, sistemas operacionais, pontes de embarque, equipamentos de segurança e atendimento aos passageiros.

Produzir parte dessa energia dentro do próprio sítio pode reduzir a exposição a variações tarifárias e ampliar o uso de fontes renováveis, embora os resultados financeiros dependam dos custos de implantação, manutenção, conexão e vida útil dos equipamentos.

Impactos para os passageiros

A obra não deverá provocar mudanças diretas nos procedimentos de embarque, despacho de bagagem ou operação dos voos.

O principal efeito para o passageiro será indireto: o terminal passará a contar com uma nova fonte de energia, potencialmente reduzindo emissões associadas ao seu consumo elétrico e aumentando a previsibilidade energética da infraestrutura.

A instalação também poderá ser percebida nas áreas externas do aeroporto, especialmente durante a movimentação de máquinas e a preparação dos terrenos. Eventuais alterações de trânsito interno ou acesso deverão ser comunicadas pela administradora caso afetem áreas utilizadas pelo público.

Próximos passos

Após a preparação dos terrenos, o cronograma deverá avançar para a instalação das estruturas de suporte, montagem dos módulos fotovoltaicos, implantação de inversores, cabeamento e conexão ao sistema elétrico.

Os inversores são os equipamentos que transformam a corrente contínua gerada pelos painéis em corrente alternada, utilizada pelas instalações do terminal e pela rede elétrica.

A operação integral está prevista para fevereiro de 2027. Até lá, o projeto ainda deverá passar por testes, conexão e homologação perante os órgãos responsáveis.

Conclusão

O complexo solar representa uma mudança importante na infraestrutura energética do Aeroporto de Vitória. Com quatro usinas, cerca de 8 mil módulos e investimento de R$ 20 milhões, o projeto procura associar redução de emissões, aproveitamento de áreas disponíveis e maior eficiência operacional.

O alcance real da iniciativa poderá ser avaliado após o início da geração, quando dados de produção, disponibilidade e consumo efetivo poderão ser comparados às projeções de 769 MWh mensais.

Em ambiente aeroportuário, sustentabilidade e segurança precisam avançar juntas. O valor do projeto não estará apenas na quantidade de painéis instalados, mas na capacidade de produzir energia renovável sem interferir na regularidade e na segurança das operações aéreas.

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