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NASA prepara novo teste da Starliner após problemas identificados no voo de 2024

NASA prepara novo teste da Starliner após problemas identificados no voo de 2024

**Próxima missão da cápsula da Boeing deverá ocorrer sem astronautas e servirá para avaliar modificações feitas no sistema de propulsão antes de uma eventual certificação para voos regulares com tripulação.**

A NASA e a Boeing avançam nos preparativos para um novo voo da cápsula **CST-100 Starliner**, em uma etapa considerada essencial para o futuro do programa de transporte tripulado da agência espacial norte-americana.

A próxima missão deverá ser realizada **sem astronautas** e terá como principal objetivo avaliar modificações implementadas após os problemas registrados durante o primeiro voo tripulado da Starliner, realizado em 2024.

A expectativa divulgada pela NASA é de que o lançamento possa ocorrer entre **dezembro de 2026 e janeiro de 2027**, dependendo da conclusão dos trabalhos técnicos, das avaliações de segurança e da disponibilidade operacional.

Mais do que simplesmente colocar novamente a cápsula em órbita, o voo deverá funcionar como uma missão de validação de engenharia. NASA e Boeing querem confirmar, em condições reais, se as mudanças realizadas principalmente no sistema de propulsão resolvem os comportamentos observados durante a missão anterior.

Starliner voltará ao espaço sem astronautas

A decisão de realizar um novo voo não tripulado mostra que o processo de certificação da Starliner ainda possui etapas importantes pela frente.

A missão deverá permitir uma análise detalhada do sistema de propulsão instalado no módulo de serviço da espaçonave, responsável por várias das manobras realizadas durante uma viagem até a Estação Espacial Internacional.

Entre os pontos que receberão atenção estão o comportamento dos pequenos motores de controle, as condições térmicas dentro do módulo de serviço e componentes associados às válvulas responsáveis pelo funcionamento dos propulsores.

A Boeing também implementou modificações destinadas a melhorar o controle de temperatura nessa região da nave.

Os resultados obtidos durante o novo voo deverão ser comparados com testes realizados em solo e com os dados coletados durante a missão de 2024.

O que aconteceu com a Starliner em 2024

O primeiro voo tripulado da Starliner, conhecido como **Crew Flight Test**, começou em 5 de junho de 2024.

A bordo estavam os astronautas da NASA **Barry “Butch” Wilmore e Sunita “Suni” Williams**, que viajaram até a Estação Espacial Internacional.

Inicialmente, a missão deveria durar poucos dias.

Durante o voo, entretanto, foram identificados **vazamentos de hélio e comportamentos anormais em alguns dos propulsores do módulo de serviço**.

A Starliner conseguiu chegar à Estação Espacial Internacional e realizar o acoplamento, mas os problemas levaram engenheiros da NASA e da Boeing a iniciar uma extensa campanha de testes e análises.

Depois de semanas de avaliações, a NASA decidiu que havia incertezas técnicas suficientes para não utilizar a cápsula no retorno dos astronautas.

A Starliner deixou a estação sem tripulação e retornou autonomamente à Terra em setembro de 2024, realizando um pouso controlado em **White Sands Space Harbor, no Novo México**.

Wilmore e Williams permaneceram na Estação Espacial Internacional e retornaram posteriormente utilizando uma cápsula Crew Dragon, da SpaceX.

Cinco propulsores apresentaram comportamento anormal

Uma das principais questões técnicas da missão envolveu os pequenos motores utilizados para controlar a orientação e realizar determinadas manobras da espaçonave.

Esses equipamentos fazem parte do chamado **Reaction Control System, ou RCS**.

Na prática, são propulsores responsáveis por pequenos ajustes de posição e trajetória da cápsula. Eles são especialmente importantes durante fases delicadas do voo, como a aproximação da Estação Espacial Internacional.

Durante a missão de 2024, **cinco desses propulsores foram temporariamente desativados pelo sistema** durante a aproximação da estação.

Quatro deles puderam ser recuperados durante verificações realizadas ainda em órbita, permitindo que a nave prosseguisse com a operação de aproximação e acoplamento.

Apesar disso, o comportamento inesperado levou a NASA e a Boeing a aprofundarem as investigações.

Temperatura pode ter influenciado o comportamento dos motores

Uma das linhas técnicas analisadas posteriormente envolveu as temperaturas registradas em determinadas regiões do módulo de serviço.

Motores desse tipo operam dentro de limites específicos de temperatura, pressão e fluxo de propelente.

Quando componentes ficam submetidos a condições térmicas diferentes daquelas previstas durante o projeto e os testes de qualificação, seu comportamento pode mudar.

Os estudos realizados após o voo indicaram que o ambiente térmico ao redor de determinados propulsores pode ter contribuído para os problemas observados.

Por esse motivo, a Boeing realizou alterações destinadas a melhorar a circulação térmica e reduzir o acúmulo de calor em regiões críticas do módulo de serviço.

A nova missão será fundamental para verificar se essas modificações produzem o resultado esperado em condições reais de voo espacial.

Vazamentos de hélio também chamaram atenção

Outro problema observado durante o Crew Flight Test foram vazamentos de hélio.

O gás não funciona como combustível da Starliner.

Ele é utilizado para **pressurizar partes do sistema de propulsão**, ajudando a garantir que os propelentes sejam enviados aos motores com a pressão necessária para seu funcionamento.

Pequenos vazamentos já haviam sido identificados antes da partida, mas novas ocorrências foram registradas durante a missão.

O comportamento do sistema passou então a fazer parte das avaliações realizadas por engenheiros antes da decisão sobre o retorno da cápsula.

Válvulas também passam por modificações

NASA e Boeing também trabalham em alterações relacionadas às válvulas utilizadas no sistema de propulsão.

Uma das preocupações técnicas envolve o comportamento de determinados elementos de vedação existentes nesses componentes.

Sob determinadas condições, deformações podem interferir no funcionamento adequado das válvulas.

Além dessas mudanças, o programa também prevê ajustes em outros sistemas da espaçonave, incluindo componentes elétricos, baterias, propulsores e elementos associados ao sistema de paraquedas.

Nem todas essas modificações necessariamente serão avaliadas exclusivamente durante o próximo voo.

Parte dos trabalhos continuará durante o processo de preparação para uma futura missão tripulada.

Investigação resultou em dezenas de recomendações

A NASA realizou uma investigação abrangente sobre os acontecimentos registrados durante o primeiro voo tripulado da Starliner.

A análise não ficou restrita aos componentes físicos da espaçonave.

Também foram examinados processos de engenharia, métodos de certificação, gerenciamento de riscos, comunicação entre equipes e procedimentos adotados durante o desenvolvimento e a execução da missão.

O relatório resultou em **dezenas de recomendações destinadas a melhorar o programa** antes de novos voos com astronautas.

A investigação reforçou uma característica importante dos programas espaciais tripulados: a certificação de uma espaçonave não depende apenas de demonstrar que ela consegue chegar ao espaço.

É necessário comprovar que seus sistemas apresentam margens de segurança suficientes para transportar pessoas de maneira repetitiva e previsível.

Starliner ainda busca certificação operacional

A CST-100 Starliner foi desenvolvida dentro do **Commercial Crew Program**, programa criado pela NASA para estabelecer sistemas comerciais de transporte de astronautas entre os Estados Unidos e a Estação Espacial Internacional.

A Boeing e a SpaceX foram selecionadas para desenvolver soluções independentes.

A Crew Dragon, da SpaceX, recebeu certificação operacional da NASA em 2020 e desde então realiza regularmente missões tripuladas.

A Starliner, por outro lado, enfrentou uma trajetória de desenvolvimento mais longa.

Antes do voo tripulado de 2024, a cápsula já havia realizado duas missões não tripuladas.

O primeiro teste orbital, em 2019, sofreu problemas de software que impediram a aproximação da Estação Espacial Internacional.

Uma segunda missão não tripulada, realizada em 2022, conseguiu alcançar a estação, realizar o acoplamento e retornar à Terra.

O voo de 2024 representaria a etapa seguinte do processo de certificação, mas as anomalias registradas obrigaram o programa a passar por uma nova rodada de modificações e testes.

Por que a NASA ainda considera a Starliner importante

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo programa, a NASA continua interessada em manter mais de um sistema capaz de transportar astronautas.

Essa estratégia cria redundância.

Caso uma espaçonave seja temporariamente retirada de operação por algum problema técnico, outra poderá continuar atendendo às necessidades do programa espacial norte-americano.

Depender exclusivamente de um único veículo também pode reduzir a flexibilidade de planejamento de missões.

Por isso, a existência de dois sistemas de transporte tripulado permanece um objetivo estratégico da NASA.

Novo teste será decisivo para o futuro da cápsula

Durante a próxima missão, engenheiros deverão acompanhar uma grande quantidade de parâmetros.

Entre eles estarão temperaturas, pressões, comportamento dos propulsores, desempenho das válvulas, funcionamento dos sistemas elétricos e resposta geral da cápsula durante as diferentes etapas do voo.

Esses dados serão posteriormente comparados com modelos de engenharia e resultados obtidos em testes realizados em solo.

Somente depois dessa análise será possível determinar quais etapas ainda serão necessárias antes que astronautas voltem a viajar na Starliner.

Isso significa que o sucesso da próxima missão não representará automaticamente a certificação definitiva da espaçonave.

Novas análises e testes poderão ser necessários.

O que muda na prática

Para o programa Starliner, o novo planejamento representa um retorno controlado às operações de voo.

Em vez de transportar imediatamente outra tripulação, NASA e Boeing utilizarão uma missão sem astronautas para testar as modificações realizadas e reduzir as incertezas técnicas ainda existentes.

A abordagem permite que os sistemas sejam submetidos novamente às condições reais encontradas durante uma missão orbital sem expor uma tripulação durante essa etapa de validação.

O cronograma divulgado também permanece sujeito a alterações.

Antes do lançamento, o veículo ainda precisará passar por avaliações de engenharia, verificações de segurança e revisões formais.

Próximos passos

NASA e Boeing continuarão trabalhando na preparação da cápsula e na conclusão das alterações consideradas necessárias.

Depois do próximo voo, os dados obtidos deverão passar por uma nova análise detalhada.

Caso os sistemas apresentem o comportamento esperado, o programa poderá avançar para as etapas seguintes da certificação.

Se novas anomalias forem identificadas, outros ajustes poderão ser exigidos antes de um novo voo tripulado.

A data de uma futura missão com astronautas, portanto, ainda dependerá dos resultados obtidos nessa campanha de testes.

Segurança continua sendo o principal critério

A Starliner já demonstrou ser capaz de chegar à Estação Espacial Internacional, realizar acoplamento e retornar autonomamente à Terra.

O desafio agora é comprovar que seus sistemas conseguem realizar essas operações dentro das margens de segurança exigidas para o transporte regular de astronautas.

O próximo voo deverá fornecer justamente aquilo que engenheiros precisam para tomar essa decisão: dados coletados em condições reais.

Em programas espaciais tripulados, atrasos podem alterar cronogramas e elevar custos.

Mas, quando pessoas estão a bordo, a prioridade técnica permanece a mesma: compreender os problemas, testar as soluções e somente depois avançar para a próxima etapa.

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**Resumo visual para imagem 860 × 430:** Cápsula Boeing CST-100 Starliner em órbita terrestre, vista em perspectiva lateral, com a curvatura iluminada da Terra ao fundo e a Estação Espacial Internacional distante. Ambiente espacial realista e cinematográfico, iluminação solar lateral destacando a estrutura branca da cápsula e pequenos propulsores de controle discretamente ativos. Clima visual de engenharia, testes e exploração espacial. Não incluir fogo, explosões, danos, destroços ou astronautas em situação de risco. A imagem deve ter caráter editorial ilustrativo e não simular uma fotografia documental de um evento específico.

**Texto alternativo da imagem:** Ilustração editorial da cápsula Boeing CST-100 Starliner em órbita terrestre durante uma missão de testes do programa espacial da NASA.