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Hackers invadem TV estatal iraniana e roubam US$ 90 milhões em criptomoedas: a nova face da guerra entre Irã e Israel
Na noite de quarta-feira (18), a televisão estatal do Irã se tornou palco de um dos episódios mais emblemáticos da guerra cibernética moderna. Em plena transmissão ao vivo, a programação foi abruptamente interrompida para exibir vídeos que incitavam a população a se rebelar contra o regime teocrático. A invasão, de forte carga simbólica e política, foi imediatamente atribuída a “inimigos estrangeiros”, com insinuações diretas ao envolvimento de Israel.
O timing do ataque televisivo coincidiu com outra ofensiva devastadora: a corretora iraniana de criptomoedas Nobitex, maior do país, sofreu um roubo estimado em mais de US$ 90 milhões em ativos digitais. O ataque, que também impactou o Banco Sepah, acendeu o alerta máximo no setor financeiro e tecnológico iraniano.
Criptomoedas como armas geopolíticas
Segundo a TRM Labs, o Irã tem usado criptoativos não apenas como alternativa econômica diante de sanções internacionais, mas também como ferramenta para sustentar projetos militares e geopolíticos. Isso transforma plataformas como a Nobitex em alvos atrativos para ataques de guerra híbrida — onde os bits substituem as balas.
Ciberinteligência cruzada e espionagem digital
Informações obtidas por fontes israelenses indicam que o Irã tem tentado acessar câmeras de segurança privadas em território israelense. O objetivo? Avaliar os impactos de seus próprios mísseis em tempo real e refinar a precisão de futuros ataques. “Estamos vendo um esforço sistemático para coletar inteligência visual diretamente das casas e comércios israelenses”, alertou Refael Franco, ex-vice-diretor da Autoridade Cibernética Nacional de Israel.
Uma aliança invisível, mas coordenada
A empresa de segurança Radware destacou que 40% de toda a atividade DDoS (ataques de negação de serviço) registrada desde o início da crise teve como alvo o Estado de Israel. Grupos como DieNet, Arabian Ghosts, Sylhet Gang e Team Fearless surgem como protagonistas desse teatro digital, com coordenação e alinhamento ideológico que sugerem uma coalizão cibernética pró-Irã.
Enquanto isso, a CloudSEK revelou que mais de 35 grupos pró-Irã já lançaram ofensivas contra Israel apenas em 2025, variando entre desfiguração de sites, ataques DDoS e supostas invasões de sistemas críticos.
Apesar da força midiática, especialistas alertam para o efeito bolha: muitos desses grupos exageram suas conquistas, reivindicando ações alheias ou reciclando dados antigos para inflar sua relevância — estratégia típica da guerra de narrativas digital.
A guerra do amanhã já começou
Os recentes ataques ilustram a nova lógica dos conflitos modernos. Hoje, a soberania de uma nação não se mede apenas pela força de seus exércitos ou número de mísseis, mas também por sua capacidade de defender e atacar no ciberespaço.
Com o Irã e Israel ampliando seus arsenais digitais, o mundo assiste à consolidação da guerra híbrida como padrão bélico do século XXI — onde a programação de um vírus pode ser tão destrutiva quanto o lançamento de um míssil, e a manipulação de dados vale tanto quanto a conquista de territórios.
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