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Microsoft remove WMIC do Windows 11 e força migração de scripts para PowerShell

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Microsoft remove WMIC do Windows 11 e força migração de scripts para PowerShell
A Microsoft avançou mais uma etapa na aposentadoria de uma das ferramentas de linha de comando mais conhecidas por administradores de Windows.
A partir de agosto de 2026, builds do Windows 11 24H2 e 25H2 passaram a não incluir mais o **Windows Management Instrumentation Command-line**, o WMIC.
A mudança aparece nas notas oficiais da atualização KB5120998, publicada inicialmente no canal Release Preview, e também chegou às novas compilações de testes do Windows 11 distribuídas em 17 de agosto.
Para grande parte dos usuários domésticos, absolutamente nada deverá mudar.
Para departamentos de TI, técnicos de suporte, fabricantes de software e empresas que carregam anos de scripts administrativos, a história é diferente.
O comando `wmic` pode simplesmente deixar de existir.
E isso significa que algumas automações antigas finalmente terão de ser reescritas.
A Microsoft não está removendo o WMI
Existe uma diferença importante que pode facilmente desaparecer no meio das manchetes.
**WMIC e WMI não são a mesma coisa.**
O Windows Management Instrumentation, ou **WMI**, é uma infraestrutura de gerenciamento do Windows que permite consultar informações e controlar diferentes componentes do sistema operacional.
Processadores, BIOS, discos, interfaces de rede, processos, serviços e inúmeras outras informações do computador podem ser expostos por meio de classes WMI.
O **WMIC**, por outro lado, é uma interface de linha de comando criada para acessar essa infraestrutura.
É o `wmic.exe` que está desaparecendo.
O WMI continua suportado pela Microsoft. A própria documentação da empresa faz essa distinção explicitamente ao informar que a descontinuação afeta apenas o utilitário de linha de comando.
Essa diferença é fundamental porque o Windows não está perdendo sua capacidade de fornecer informações de gerenciamento.
Está eliminando uma maneira antiga de acessá-las.
Um comando que administradores usaram durante décadas
Quem passou algum tempo administrando computadores Windows provavelmente já encontrou comandos como:
`wmic bios get serialnumber`
ou:
`wmic cpu get name`
Eles permitiam obter rapidamente informações do equipamento sem abrir painéis gráficos ou instalar programas adicionais.
O WMIC também acabou incorporado a arquivos `.bat`, ferramentas de inventário, rotinas de suporte, scripts de implantação e softwares que precisavam consultar características do computador.
Sua força estava justamente na simplicidade.
Um comando curto poderia consultar uma classe WMI, aplicar filtros e devolver informações em texto.
Para uma época em que grande parte da administração do Windows ainda girava em torno de Prompt de Comando, VBScript e arquivos BAT, isso era extremamente conveniente.
O problema é que a plataforma evoluiu — e o WMIC praticamente não.
A aposentadoria começou muito antes de 2026
A Microsoft não desligou o WMIC de uma hora para outra.
A ferramenta foi oficialmente declarada obsoleta no Windows 10 21H1.
Depois disso, o processo aconteceu em etapas.
No Windows 11, o WMIC passou a ser tratado como um **Feature on Demand**, ou recurso sob demanda.
No Windows 11 24H2, ele já deixou de vir pré-instalado em novas instalações.
Na atualização para o Windows 11 25H2, o componente passou a ser desinstalado, embora ainda pudesse ser recuperado temporariamente como recurso opcional. A documentação da Microsoft já avisava que essa possibilidade não seria permanente.
Agora chegamos à fase seguinte.
As notas publicadas pela Microsoft em 14 de agosto de 2026 afirmam que o WMIC não está mais disponível como Feature on Demand nas versões 24H2 e 25H2 contempladas pela mudança.
Em outras palavras, instalar novamente a ferramenta deixa de ser uma estratégia de longo prazo.
O PowerShell assume definitivamente o lugar
A recomendação da Microsoft é migrar o trabalho para PowerShell e para as interfaces modernas de gerenciamento do Windows.
Uma das ferramentas mais importantes nesse processo é o `Get-CimInstance`.
CIM significa **Common Information Model** e fornece uma maneira orientada a objetos de acessar muitas das mesmas informações anteriormente consultadas pelo WMIC.
A Microsoft trata `Get-CimInstance` como uma das principais ferramentas do PowerShell para trabalhar com informações expostas pelo WMI.
Um exemplo deixa a mudança clara.
O antigo:
`wmic bios get serialnumber`
pode ser substituído por algo semelhante a:
`Get-CimInstance -ClassName Win32_BIOS | Select-Object -Property SerialNumber`
O objetivo é praticamente o mesmo.
A diferença está na arquitetura.
O WMIC devolvia essencialmente uma representação textual voltada à linha de comando tradicional.
O PowerShell trabalha com objetos.
Isso permite selecionar propriedades, filtrar resultados, combinar comandos e manipular informações sem precisar transformar constantemente texto em dados estruturados.
Para scripts mais complexos, isso representa uma vantagem significativa.
O problema não é aprender outro comando
Para uma pessoa usando WMIC ocasionalmente, a migração será simples.
O impacto mais delicado está no código que ninguém lembra que existe.
Empresas acumulam scripts durante anos.
Um arquivo BAT criado para preparar computadores novos pode chamar `wmic`.
Um software de inventário desenvolvido internamente pode executar `wmic.exe` silenciosamente.
Um instalador antigo pode consultar o número de série ou o modelo da máquina antes de continuar.
Uma aplicação empresarial pode verificar características do hardware como parte de seu mecanismo de licenciamento.
Enquanto o WMIC continuava disponível, essas dependências permaneciam invisíveis.
Quando o executável desaparece, deixam de ser invisíveis.
O resultado pode ser um script interrompido, uma rotina incompleta ou um programa apresentando erro aparentemente sem relação com uma atualização do Windows.
Quem deve se preocupar primeiro
Departamentos corporativos de TI estão no grupo mais exposto.
Especialmente organizações com grande quantidade de scripts BAT ou CMD criados ao longo de muitos anos.
Empresas que utilizam sistemas legados também precisam prestar atenção.
Quanto mais antiga uma ferramenta de gerenciamento, implantação, inventário ou diagnóstico, maior a possibilidade de ela carregar alguma dependência de comandos tradicionais do Windows.
Fabricantes de equipamentos e desenvolvedores de software empresarial também precisam revisar instaladores e ferramentas de suporte.
O mesmo vale para técnicos que mantêm pendrives e bibliotecas próprias de scripts utilizados para diagnóstico de computadores.
A recomendação prática é bastante simples: procurar referências a `wmic` antes que os usuários descubram a dependência em produção.
Não basta trocar “wmic” por “PowerShell”
Existe uma armadilha nessa migração.
Transformar um script antigo em um script moderno não significa simplesmente procurar todos os comandos `wmic` e substituí-los mecanicamente por uma linha de PowerShell.
WMIC utiliza aliases, formatos e comportamentos próprios.
PowerShell e CIM trabalham de maneira diferente.
Scripts que processavam a saída textual produzida pelo WMIC podem precisar ser redesenhados.
Isso pode inclusive resultar em código melhor.
Como o PowerShell trabalha com objetos, um script não precisa necessariamente procurar a terceira palavra da segunda linha de uma saída textual para descobrir um determinado valor.
Ele pode acessar diretamente uma propriedade.
O custo está na migração.
O benefício é abandonar uma dependência criada para outra geração do Windows.
O detalhe que pode causar mais dor: software de terceiros
Há ainda uma questão que recebe menos atenção do que deveria.
O administrador pode atualizar os próprios scripts.
Não pode corrigir facilmente um programa fechado de terceiro.
Se determinado software comercial executar internamente `wmic.exe`, a solução dependerá de uma atualização do fabricante.
Esse é provavelmente um dos principais pontos a acompanhar durante a expansão da remoção.
Aplicações muito antigas, equipamentos industriais, sistemas corporativos especializados e ferramentas mantidas apenas para compatibilidade são ambientes onde dependências desse tipo tendem a sobreviver por mais tempo.
Nesse caso, a pergunta deixa de ser “qual comando devo usar no lugar do WMIC?” e passa a ser “o fornecedor ainda mantém este software?”.
É aí que uma pequena remoção do Windows pode revelar uma dívida técnica acumulada durante uma década.
Há também uma mudança de segurança e manutenção
Componentes legados possuem um custo.
Precisam continuar sendo testados.
Precisam permanecer compatíveis com novas versões.
Podem manter interfaces que aplicações modernas já não deveriam utilizar.
E cada componente adicional aumenta a superfície de software que precisa ser mantida dentro de um sistema operacional com centenas de milhões de instalações.
A retirada do WMIC faz parte de uma limpeza maior conduzida pela Microsoft no Windows.
Nos últimos ciclos, diferentes tecnologias antigas passaram por processos de descontinuação ou remoção, enquanto a empresa direciona administradores para PowerShell, CIM e mecanismos modernos de gerenciamento.
Isso não significa que uma tecnologia seja insegura simplesmente por ser antiga.
Significa que manter indefinidamente duas maneiras de executar a mesma tarefa tem custo técnico.
A remoção ainda está sendo distribuída
Também é importante não interpretar a notícia como se todos os computadores com Windows tivessem perdido o WMIC simultaneamente em 18 de agosto.
A KB5120998 citada pela Microsoft foi documentada para as builds 26100.9267 e 26200.9267 do **Release Preview Channel**.
Esse canal antecede a distribuição mais ampla das alterações.
Ao mesmo tempo, a remoção já aparece em builds de diferentes canais do Windows Insider, incluindo compilações experimentais e Beta publicadas em 17 de agosto de 2026.
O sinal, portanto, é claro: não estamos mais discutindo se o WMIC desaparecerá.
Estamos acompanhando a etapa final de sua retirada.
Análise da equipe
A morte do WMIC é um excelente exemplo de como mudanças aparentemente pequenas no Windows podem revelar uma infraestrutura enorme escondida debaixo da interface gráfica.
Para o usuário que abre navegador, Word e jogos, o `wmic.exe` poderia desaparecer amanhã sem deixar saudade.
Para quem administra centenas ou milhares de máquinas, um executável de poucos kilobytes pode estar no meio de uma cadeia de processos construída durante vinte anos.
Esse é o verdadeiro problema dos componentes legados.
Eles não permanecem porque alguém necessariamente gosta deles.
Permanecem porque alguma coisa depende deles.
A Microsoft deu anos de aviso sobre o WMIC, portanto dificilmente é possível classificar a retirada como inesperada.
Ainda assim, o tamanho real do impacto só ficará evidente quando sistemas que nunca foram revisados encontrarem uma máquina onde `wmic.exe` simplesmente não existe.
Para equipes de TI, agosto de 2026 deveria servir menos como data de despedida e mais como prazo para uma busca.
Procure `wmic` nos scripts.
Procure nos instaladores.
Procure nas rotinas de inventário.
Procure nas ferramentas internas abandonadas pelo funcionário que saiu da empresa seis anos atrás.
Essa varredura provavelmente será mais útil do que tentar restaurar um componente que a Microsoft claramente decidiu enterrar.
O que acompanhar daqui para frente
O principal indicador será a expansão da mudança das builds de testes e Release Preview para atualizações amplamente distribuídas do Windows 11.
Também será importante observar relatos de incompatibilidade com programas empresariais e equipamentos que ainda dependem do executável antigo.
Para desenvolvedores e administradores, a direção técnica já está definida: PowerShell, CIM e APIs de gerenciamento suportadas.
O WMIC sobreviveu por décadas porque fazia uma coisa importante de forma extremamente simples.
Mas simplicidade não é o mesmo que permanência.
Desta vez, quando o Windows disser que `wmic` não é reconhecido como comando, reinstalar a velha ferramenta pode simplesmente deixar de ser uma opção.
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