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Não fiquem tristes: a Seleção perdeu a Copa, mas os derrotados estão muito bem

Não fiquem tristes: a Seleção perdeu a Copa, mas os derrotados estão muito bem

Galera, não vamos ficar tristes: a Seleção perdeu, o sistema ganhou e o povo acorda amanhã

**Aviso editorial: esta matéria contém a acidez equivalente a 200 estômagos de bode funcionando simultaneamente. Pode causar refluxo em dirigentes, patrocinadores, políticos profissionais, vendedores de esperança e especialistas em “novo ciclo”.**

O Brasil perdeu para a Noruega e adiou novamente o sonho do hexa, mas jogadores, CBF, patrocinadores, emissoras e a indústria do futebol continuam muito bem. Enquanto isso, o brasileiro comum segue disputando a única final que realmente conhece: vencer um dia de cada vez.

Galera, não vamos ficar tristes.

Nada de lágrimas. Nada de destruir a televisão, abandonar a camisa amarela ou tentar explicar racionalmente por que uma seleção cercada por jogadores milionários, comissão técnica internacional, estrutura de primeiro mundo, alimentação controlada, fisiologia avançada, análise de dados e profissionais especializados conseguiu transformar a Noruega em uma potência mitológica do futebol mundial.

O Brasil perdeu por 2 a 1, levou dois gols de Erling Haaland e caiu nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. A Noruega avançou às quartas pela primeira vez em sua história, enquanto a Seleção Brasileira igualou sua pior campanha desde 1990.

Foi doloroso, naturalmente.

Mas precisamos enxergar o lado bom.

Os jogadores continuarão milionários. A comissão técnica continuará empregada ou receberá novas propostas. A CBF continuará recebendo dinheiro. As emissoras tiveram audiência. Os patrocinadores apareceram. As plataformas digitais receberam cliques. Os influenciadores ganharam material. Os programas esportivos terão assunto suficiente para convocar 37 ex-jogadores, três psicólogos, quatro comentaristas táticos e um especialista em linguagem corporal para explicar por que o lateral não fechou o segundo pau.

Todos venceram.

Só o Brasil perdeu.

Antes de chorar, lembre-se de que a derrota também distribui milhões

Circulou a estimativa de que jogadores e membros da delegação poderiam embolsar valores próximos de R$ 2,3 milhões.

Não existe, até agora, uma planilha pública da CBF demonstrando que todos receberão exatamente essa quantia.

Portanto, apresentar esse número como pagamento individual confirmado seria transformar indignação em ficção contábil.

A realidade oficialmente conhecida já é suficientemente obscena sem qualquer necessidade de enfeite.

A FIFA estabeleceu prêmio de US$ 15 milhões para as seleções classificadas entre a nona e a 16ª posição, além de US$ 1,5 milhão destinado à preparação de cada participante.

O dinheiro é pago à associação nacional, e não diretamente aos atletas.

No acordo brasileiro, uma parcela da premiação seria destinada à delegação; desse montante, 70% ficariam com os jogadores, enquanto os outros 30% seriam divididos entre comissão técnica e estafe.

Pode não dar exatamente R$ 2,3 milhões para cada um.

Que alívio.

Talvez algum integrante da delegação precise sobreviver com um pouco menos.

Será um momento difícil, mas estamos certos de que encontrará forças em sua conta bancária, em seus contratos publicitários e no apoio emocional de algum relógio suíço.

O torcedor brasileiro, sempre solidário, compreenderá.

Afinal, ele também conhece o sofrimento de esperar uma transferência bancária.

No caso dele, costuma ser o salário, que entra de um lado e desaparece do outro após um encontro rápido com aluguel, supermercado, escola, combustível, impostos e cartão de crédito.

Foram aos Estados Unidos, treinaram, comeram bem e jogaram suas bolinhas

A delegação brasileira teve aquilo que uma equipe de alto rendimento deve receber: hotéis adequados, alimentação planejada, profissionais de saúde, campos de treinamento, segurança, transporte, acompanhamento físico e estrutura tecnológica. Não há escândalo nisso. Uma seleção que movimenta bilhões não deveria preparar seus atletas com sanduíche de mortadela, colchão inflável e uma caixa térmica no estacionamento.

Também houve descanso, entretenimento e videogame. Durante a concentração, tornou-se notícia a organização de uma pequena estrutura com computadores e consoles, descrita como uma espécie de lan house, na qual atletas poderiam jogar títulos como Counter-Strike nos períodos livres.

Novamente, não há crime algum.

Jogadores não precisam permanecer ajoelhados sobre milho durante as horas de descanso para demonstrar patriotismo.

Não precisam cantar o Hino Nacional enquanto fazem fisioterapia nem dormir abraçados à bandeira.

O simbolismo, entretanto, é irresistível.

Eles foram aos Estados Unidos, treinaram, comeram bem, jogaram futebol, jogaram videogame, apareceram na televisão e participaram do maior evento esportivo do planeta. Depois, retornarão aos clubes, às ligas mais ricas, às mansões, aos contratos e às campanhas comerciais.

Nós ficamos em casa jogando outro jogo.

**Esperança Brasileira 2026.**

O objetivo era conquistar o hexa.

O tutorial prometia tradição, talento e uma comissão técnica vencedora.

Na primeira fase eliminatória realmente complicada, o sistema travou.

A Seleção perdeu, mas a produção de conteúdo foi campeã mundial

Dentro de campo, faltou posse, comando, construção e capacidade de reação. Fora dele, tudo funcionou maravilhosamente.

Os vídeos chegaram no horário.

As fotografias estavam bem iluminadas.

Os cabelos permaneceram alinhados.

Os brincos estavam corretamente posicionados.

As correntes reluziam.

Os uniformes estavam disponíveis para compra.

Os patrocinadores apareceram.

As redes sociais produziram bastidores, depoimentos, brincadeiras, desafios, entrevistas e cenas emocionantes.

Talvez não tenha existido um plano alternativo para enfrentar a mudança tática da Noruega, mas certamente havia um cronograma impecável para as publicações do dia seguinte.

Não há problema algum em jogador usar joia, brinco, relógio, roupa cara ou penteado elaborado. O dinheiro é deles. O corpo é deles. O estilo é deles.

A ironia nasce da imagem completa: tudo ao redor desses profissionais comunica vitória, riqueza e sucesso absoluto, mesmo quando o placar informa derrota.

O desempenho esportivo pode falhar.

A marca pessoal, jamais.

As dancinhas estavam preparadas. O meio-campo, nem tanto

A dancinha não eliminou o Brasil.

É importante registrar isso antes que os fiscais da alegria apareçam exigindo comemorações semelhantes a reuniões de condomínio. Jogador brasileiro pode dançar, sorrir, brincar e celebrar. O futebol nacional perderia parte de sua identidade caso todos os gols fossem comemorados com uma continência burocrática diante da placa de publicidade.

O problema não é a coreografia.

O problema é quando ela parece ter sido mais ensaiada do que a saída de bola.

A Seleção chegou à Copa com mensagens sobre união, reconstrução, confiança, família, história e responsabilidade. O material promocional sugeria que um grande organismo coletivo estava sendo formado.

Quando a Noruega alterou a partida, entretanto, o organismo coletivo apresentou sintomas de pane sistêmica. O time recuou, as mudanças não restabeleceram o controle e Haaland fez o que Haaland costuma fazer quando recebe oportunidades: marcou.

Talvez tenha faltado ensaiar menos o conteúdo emocional e um pouco mais o que fazer quando o plano principal fracassasse.

Mas não sejamos injustos.

A postagem “não era o resultado que queríamos” já devia estar perfeitamente revisada.

A Seleção das casas de apostas

O futebol contemporâneo foi abraçado pelas plataformas de apostas com uma intensidade que faria um polvo parecer pouco afetuoso. Elas aparecem nas camisas, nos intervalos, nas placas, nos programas, nos aplicativos, nos palpites, nos influenciadores e nas transmissões.

O roteiro é eficiente.

O jogador aparece.

A emissora divulga.

O influenciador sugere.

A plataforma recebe.

O torcedor aposta.

Caso ele perca, surge a mensagem responsável lembrando que jogos de azar podem causar danos.

Tudo devidamente resolvido.

A mesma população que enfrenta dificuldade financeira, endividamento e baixa educação econômica é exposta diariamente à fantasia de que uma combinação de palpites poderá transformar pouco dinheiro em fortuna. O esporte entrega emoção, a plataforma converte essa emoção em produto e o cidadão assume sozinho o risco.

Os atletas e clubes ganham exposição ou patrocínio.

A televisão ganha publicidade.

A plataforma ganha clientes.

O torcedor pode perder no aplicativo e, algumas horas depois, perder também no placar.

Duas derrotas pelo preço de uma.

Eles não precisaram estudar?

A frase é tentadora: “Não estudaram, não concluíram o ensino médio e ganham milhões”.

Ela expressa uma indignação legítima com a desigualdade brasileira, mas é intelectualmente preguiçosa quando apresentada sem dados. Não existe levantamento confiável demonstrando que a maioria dos convocados não concluiu a educação básica. Além disso, tornar-se jogador profissional exige disciplina, repetição, competição, sacrifícios familiares, risco físico e uma seleção brutal que elimina milhares de jovens antes que cheguem ao primeiro grande contrato.

Para cada atleta milionário existem muitos que deixaram a escola, foram dispensados por clubes e chegaram à vida adulta sem carreira esportiva, sem renda e sem diploma.

A crítica correta é mais profunda.

O Brasil criou uma sociedade em que o espetáculo consegue encontrar dinheiro com enorme facilidade, enquanto atividades fundamentais precisam implorar por orçamento. Um jogador recebe milhões porque movimenta publicidade, transmissão, consumo e audiência global. Um professor pode dedicar décadas à educação e continuar recebendo como se seu trabalho fosse um incômodo contábil.

A culpa individual não é do atleta que aceita o salário.

A aberração está na escala de valores.

Encontramos fortunas para quem entretém o país durante noventa minutos, mas abrimos uma investigação financeira sempre que alguém propõe pagar melhor a quem educa o país durante uma vida inteira.

As mulheres bonitas não perderam a partida

Também seria possível falar das esposas, namoradas, festas, relacionamentos e aventuras amorosas dos jogadores. Isso certamente renderia cliques, comentários e aquela combinação nacional de moralismo público com curiosidade privada.

Mas mulheres não são medalhas penduradas no pescoço de homens ricos.

A vida íntima dos atletas não causou os gols da Noruega.

Nenhuma esposa escolheu as substituições.

Nenhuma namorada perdeu o meio-campo.

Nenhum relacionamento foi responsável pela marcação sobre Haaland.

Se algum jogador possui uma, duas ou vinte relações, isso pertence à sua vida pessoal enquanto não houver crime, abuso ou questão de interesse público devidamente comprovada.

A crítica esportiva não precisa transformar mulheres em objetos e boatos em argumento.

Temos material suficiente no gramado.

Temos o melhor presidente “corrupto” da história?

Aqui a acidez precisa encontrar a precisão.

Luiz Inácio Lula da Silva é o presidente da República em julho de 2026.

Sua trajetória política é inseparável de grandes escândalos, investigações e de uma era em que corrupção, partidos, empreiteiras, empresas públicas e poder se misturaram diante do país inteiro. Entretanto, as condenações criminais impostas a Lula foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal por questões de competência, e não existe hoje uma condenação penal válida que permita descrevê-lo, como afirmação jurídica simples, como “presidente condenado por corrupção”.

Isso não impede a crítica política.

Também não obriga ninguém a sofrer de amnésia histórica.

Podemos reconhecer o estado jurídico dos processos sem fingir que os escândalos, alianças, métodos de governabilidade e personagens envolvidos foram uma alucinação coletiva. Podemos dizer que Lula não possui condenação penal válida e, ao mesmo tempo, questionar o ambiente político que seus governos ajudaram a consolidar.

O Brasil transformou essa discussão em uma guerra religiosa.

Para um lado, Lula é a encarnação de todos os males.

Para o outro, qualquer crítica a Lula representa conspiração, elitismo, fascismo, imperialismo ou mau humor antes do café.

No meio dessas duas igrejas, o país segue administrado por acordos, cargos, emendas, negociações, concessões e discursos cuidadosamente adaptados ao público do dia.

Somos campeões mundiais de escolher salvadores.

O problema é que eles costumam chegar ao poder acompanhados pelo mesmo sistema que prometeram combater.

A corrupção não precisa de um presidente: ela já possui endereço institucional

O erro está em imaginar que a corrupção brasileira mora em uma única pessoa. Presidentes são responsáveis por seus governos, escolhas, ministros, alianças e omissões. Mas o sistema de privilégios, opacidade, fisiologismo e proteção corporativa atravessa Executivo, Legislativo, Judiciário, governos estaduais, prefeituras, empresas, partidos e organizações privadas.

A corrupção tornou-se menos um acidente e mais um ambiente.

O Índice de Percepção da Corrupção de 2025 atribuiu ao Brasil 35 pontos em uma escala de zero a cem, mantendo o país na 107ª posição entre 182 nações e territórios.

Foi a segunda pior nota brasileira da série histórica comparável, abaixo da média mundial de 42 pontos.

O indicador mede percepção de corrupção no setor público e possui limitações, mas sua estagnação revela uma confiança institucional profundamente danificada.

É por isso que trocar o presidente não basta.

Também não basta trocar o treinador.

O Brasil possui uma devoção quase religiosa pela substituição de personagens, desde que o roteiro permaneça intacto. Sai o ministro, entra outro. Sai o técnico, chega um estrangeiro. Sai o dirigente, assume um aliado. Sai o partido, entra uma coalizão com parte dos mesmos operadores.

Chamamos isso de renovação.

O sistema chama de intervalo comercial.

E o porteiro analfabeto?

A figura do porteiro analfabeto pode ser utilizada como humilhação individual ou como acusação contra o país. A segunda leitura é a única intelectualmente digna.

Se uma pessoa chega à vida adulta sem saber ler ou escrever, o fracasso principal não é dela. É de um Estado que teve anos para alcançá-la e não conseguiu. É de uma sociedade que aceita que milhões de cidadãos trabalhem, paguem impostos, criem filhos, votem e envelheçam sem acesso pleno ao instrumento mais básico de autonomia.

Em 2025, o Brasil ainda tinha aproximadamente 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler nem escrever, uma taxa de analfabetismo de 4,9%. Foi a primeira vez que o índice ficou abaixo de 5%, o que representa avanço, mas o número absoluto continua gigantesco.

Portanto, não é o porteiro que deve sentir vergonha.

Vergonha deveria sentir o país que chega ao ano de 2026 ainda tratando alfabetização como conquista estatística incompleta.

O porteiro trabalha.

O porteiro acorda cedo.

O porteiro abre a porta para ministros, empresários, autoridades, advogados, parlamentares e pessoas que passaram décadas dentro de universidades.

Talvez seja o único naquele edifício que nunca teve oportunidade de estudar.

E ainda será ele o personagem escolhido para representar a ignorância nacional.

O poderoso produz o fracasso.

O pobre recebe o rótulo.

Somos vitoriosos porque ainda sorrimos

Apesar disso, o brasileiro sorri.

É quase irritante.

O país oferece burocracia, insegurança, impostos, serviços insuficientes, corrupção, inflação de promessas e uma seleção que periodicamente anuncia um novo ciclo. Mesmo assim, a pessoa acorda, prepara café, leva o filho à escola, abre o comércio, pega ônibus, estuda para concurso, envia currículo e acredita que alguma coisa poderá melhorar.

Não porque o Estado tenha fornecido razões convincentes.

Não porque os dirigentes tenham merecido confiança.

Não porque o futebol tenha retribuído a esperança.

O brasileiro acredita porque desistir completamente seria permitir que o sistema tomasse também sua última propriedade: a possibilidade de imaginar outro amanhã.

Essa esperança pode ser explorada.

E frequentemente é.

O político pede mais quatro anos.

A seleção pede mais uma Copa.

O treinador pede mais um ciclo.

A empresa pede mais uma chance.

O banco oferece mais uma parcela.

A plataforma oferece mais uma aposta.

Todos sabem que o brasileiro deseja acreditar.

A esperança nacional tornou-se uma fonte de energia renovável para instituições que raramente entregam aquilo que prometeram.

O que é vencer um dia de cada vez?

Para o atleta milionário, vencer pode significar levantar uma taça, marcar um gol, assinar um contrato ou receber um prêmio.

Para o brasileiro comum, a definição é menos cinematográfica.

Vencer pode significar chegar ao fim do dia com comida dentro de casa.

Significa pagar uma conta e negociar outras três. Significa manter o emprego. Significa conseguir atendimento médico. Significa proteger os filhos. Significa estudar depois de trabalhar. Significa suportar o transporte, a insegurança, o cansaço e a sensação permanente de que existe alguém vivendo muito bem graças ao funcionamento defeituoso de tudo.

Vencer um dia de cada vez é continuar sem a estrutura concedida à Seleção.

Não há fisiologista.

Não há nutricionista.

Não há massagista.

Não há hotel.

Não há bônus de participação.

Não há patrocinador.

Não há texto pronto para publicar quando a semana termina em derrota.

Existe apenas a obrigação de acordar novamente.

O trabalhador brasileiro disputa uma final todas as manhãs e, quando vence, não recebe medalha. Recebe outro dia.

Portanto, vamos celebrar

Não vamos ficar tristes.

Os jogadores estão bem.

A comissão está bem.

O treinador continuará muito bem.

A CBF receberá milhões.

Os patrocinadores estão satisfeitos.

As emissoras tiveram audiência.

As plataformas de apostas apareceram.

Os influenciadores ganharam conteúdo.

Os programas esportivos terão assunto durante semanas.

Os cabelos permaneceram alinhados.

As joias chegaram intactas.

Os contratos sobreviveram.

As redes sociais cresceram.

Todos são vencedores.

A Seleção perdeu o jogo.

A indústria ganhou mais uma Copa.

O político continuará discursando.

O sistema continuará negociando.

A corrupção continuará sendo tratada como defeito do adversário.

O porteiro continuará abrindo a porta para quem teve oportunidades que ele nunca recebeu.

E o povo acordará amanhã.

Explicaremos às crianças que um dia se ganha, no outro se perde e, depois, pode-se perder novamente. Diremos que o importante é participar, aprender, publicar uma mensagem bonita e voltar para casa com os contratos preservados.

Mas também precisaremos contar outra verdade.

O Brasil não continua existindo porque possui os melhores jogadores, os melhores presidentes, os melhores dirigentes ou as melhores instituições.

O Brasil continua existindo porque seu povo se recusa a permanecer no chão.

Nosso povo ainda sorri.

Nosso povo ainda acredita.

Nosso povo ainda acorda imaginando que algo melhor possa acontecer, talvez por planejamento, talvez por luta, talvez por um milagre.

Essa esperança não deve servir para absolver quem fracassa no poder. Ela deve servir para lembrar por quem o país deveria funcionar.

Não somos vitoriosos porque perdemos bem.

Não somos vitoriosos porque nossos jogadores são ricos.

Não somos vitoriosos porque o sistema consegue monetizar o fracasso.

Somos vitoriosos porque, mesmo esmagados entre promessas, boletos, corrupção e derrotas, ainda encontramos forças para continuar.

No Brasil, vencer raramente significa conquistar tudo.

Na maioria das vezes, significa não permitir que tudo nos derrote.

É levantar.

É trabalhar.

É cuidar.

É acreditar.

É **vencer um dia de cada vez**.

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