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Samsung cria dobrável de R$ 19,4 mil e mostra que a era da IA também está redesenhando o preço dos celulares

**Categoria editorial:** Smartphones, Inteligência Artificial e Mercado
Samsung cria dobrável de R$ 19,4 mil e mostra que a era da IA também está redesenhando o preço dos celulares
**Linha fina:** Galaxy Z Flip8, Fold8 e Fold8 Ultra chegam ao Brasil com melhor hardware, Galaxy AI e uma nova escada de preços. O movimento não prova que a IA sozinha encareceu os aparelhos, mas revela como software, serviços e segmentação premium passaram a justificar um teto cada vez mais alto.
**Meta description:** Samsung lança Galaxy Z Flip8, Fold8 e Fold8 Ultra por até R$ 19,4 mil e mostra como IA e segmentação estão elevando o mercado premium.
**Slug amigável:** samsung-dobraveis-precos-brasil-inflacao-era-ia
**Palavra-chave principal:** dobráveis Samsung 2026
**Editoria:** Tecnologia
**Autor:** Redação PixBugTech
**Data:** 9 de agosto de 2026
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Matéria completa
Existe uma maneira fácil de interpretar os novos dobráveis da Samsung: dizer que os celulares ficaram absurdamente caros. Existe outra, mais interessante: observar como a indústria está criando novas categorias dentro da própria categoria premium para descobrir até onde o consumidor aceita subir.
A oitava geração Galaxy Z chegou ao Brasil com três aparelhos. O Galaxy Z Flip8 começa em **R$ 9.199**. O novo Galaxy Z Fold8 parte de **R$ 12.599**. Acima dele aparece pela primeira vez o Galaxy Z Fold8 Ultra, cuja configuração de 1 TB e 16 GB de RAM alcança **R$ 19.399**.
Quase vinte mil reais por um smartphone.
O número inevitavelmente produz espanto, mas ele sozinho conta uma história incompleta. A Samsung não simplesmente pegou o Fold do ano passado e adicionou alguns milhares de reais à etiqueta. A empresa reorganizou a família, criou uma nova camada Ultra, reposicionou o Fold convencional e passou a utilizar inteligência artificial, formatos especializados e serviços digitais como parte de uma arquitetura de valor muito mais sofisticada.
É aí que a história fica realmente interessante para a PixBugTech.
A chamada “inflação da era da IA” não significa necessariamente que executar Gemini ou Galaxy AI adicionou milhares de reais ao custo industrial de cada aparelho. Não há evidência pública suficiente para estabelecer essa causalidade. O fenômeno é mais sutil: **a IA está ajudando fabricantes a construir uma nova narrativa de produto premium, justamente quando o mercado de smartphones maduros precisa encontrar motivos para cobrar cada vez mais por aparelhos que já faziam quase tudo muito bem.**
O hardware continua evoluindo.
O preço também.
Mas agora existe uma nova palavra na caixa capaz de ajudar a justificar os dois: inteligência.
Os preços mostram uma escada cuidadosamente construída
A linha brasileira começa com o Galaxy Z Flip8 de 256 GB e 12 GB de RAM por R$ 9.199. A versão de 512 GB sobe para R$ 10.799.
O Galaxy Z Fold8 ocupa o meio dessa estrutura. São R$ 12.599 para 256 GB e R$ 14.199 para 512 GB, ambos com 12 GB de memória RAM.
Depois vem o Fold8 Ultra.
A versão de 256 GB custa R$ 14.599. Com 512 GB, são R$ 16.199. A configuração de 1 TB, acompanhada por 16 GB de RAM, chega aos R$ 19.399 que transformaram o lançamento numa discussão sobre muito mais do que dobradiças.
Não é difícil enxergar a estratégia.
A Samsung praticamente criou degraus de aproximadamente R$ 2 mil entre diferentes níveis de experiência. O consumidor começa olhando um Flip. Um pouco acima aparece o Fold. Mais alguns milhares e surge o Ultra. Armazenamento maior adiciona outro salto.
É uma técnica antiga de segmentação aplicada a um produto novo.
A diferença é que smartphones já alcançaram um nível técnico em que aumentar preço exige explicar por que aquela versão superior existe.
A resposta de 2026 está dividida entre formato, câmera, produtividade e IA.
Mas existe um detalhe importante: nem todo Fold ficou mais caro
É justamente aqui que a leitura da “inflação” precisa ser feita com cuidado.
O Galaxy Z Fold7 chegou ao Brasil em 2025 custando R$ 14.599 na configuração de 512 GB e R$ 16.599 com 1 TB.
O Fold8 convencional de 512 GB custa R$ 14.199.
Ou seja: **comparando configurações equivalentes de armazenamento, o Fold8 normal de 512 GB ficou R$ 400 abaixo do preço sugerido do Fold7 de 512 GB no lançamento anterior.**
A explosão do teto acontece porque agora existe outra máquina acima dele.
O Fold8 Ultra de 512 GB custa R$ 16.199 e a versão de 1 TB chega a R$ 19.399.
Portanto, dizer simplesmente que “o Fold ficou mais caro por causa da IA” seria tecnicamente ruim.
O que aconteceu é mais revelador.
A Samsung **abriu uma nova prateleira acima do antigo topo**.
O Fold8 herdou uma parte do mercado. O Fold8 Ultra recebeu a missão de aumentar o limite superior de quanto a empresa pode cobrar por um dobrável.
Não é apenas inflação.
É **expansão vertical do mercado premium**.
No Flip, porém, o aumento aparece de maneira bem mais direta
A comparação do Galaxy Z Flip é diferente.
O Flip7 de 256 GB estreou no Brasil por R$ 8.199. O novo Flip8 de 256 GB chega por R$ 9.199.
São R$ 1.000 adicionais.
Na configuração de 512 GB, o salto é ainda maior: de R$ 9.199 para R$ 10.799.
Aqui existe, sim, aumento nominal importante entre as gerações.
Curiosamente, o Flip sempre foi tratado como a opção mais “acessível” dentro da linha dobrável principal — acessível dentro de um universo em que oito ou nove mil reais aparentemente representam o hall de entrada.
Essa mudança importa porque empurra o próprio ponto inicial da experiência Galaxy Z para cima.
Em 2025, a Samsung ainda mantinha um Flip7 FE abaixo da linha principal, oferecendo uma espécie de porta de entrada. Na nova geração apresentada agora, a atenção está concentrada em três produtos posicionados claramente como premium.
O dobrável de massa continua sendo uma promessa.
O dobrável de alto ticket já é realidade.
O Fold8 Ultra é menos um celular novo e mais uma categoria de preço nova
O Ultra ajuda a explicar a estratégia.
Ele possui tela externa de 6,5 polegadas e painel interno de 8 polegadas, câmera principal de 200 MP, ultrawide de 50 MP, teleobjetiva de 10 MP com zoom óptico de 3x, bateria de 5.000 mAh e Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy.
Pesa 215 gramas e mede apenas 4,1 milímetros aberto.
É tecnicamente impressionante.
Também é importante notar que boa parte dessa descrição poderia soar como a ficha de um flagship convencional até chegarmos à tela dobrável.
É justamente essa combinação que a Samsung tenta monetizar: substituir a ideia de que o comprador está adquirindo “um celular que dobra” pela noção de que ele está levando **um smartphone Ultra que por acaso também se transforma num pequeno tablet**.
Essa mudança semântica é valiosa.
O produto deixa de competir apenas com outros dobráveis.
Passa a competir mentalmente com celulares Ultra, tablets, ferramentas de produtividade e até notebooks compactos.
E quanto mais funções um produto afirma substituir, maior fica o espaço psicológico para cobrar por ele.
O Fold8 normal tomou uma direção completamente diferente
A Samsung também fez algo inteligente ao evitar que Fold8 e Fold8 Ultra fossem apenas o mesmo aparelho em tamanhos diferentes.
O Fold8 convencional possui uma proposta mais compacta. A tela externa tem 5,5 polegadas em proporção 10:16; aberta, a máquina oferece 7,6 polegadas em 4:3.
O resultado é aquele formato que lembra um passaporte, mais baixo e largo do que os Fold tradicionais.
Pesa apenas 201 gramas.
É uma mudança importante porque corrige uma das críticas históricas aos dobráveis: durante anos, eles foram tratados como tablets que precisavam tolerar ser celulares quando fechados.
O Fold8 tenta funcionar bem nos dois estados.
O Ultra olha para trabalho e produtividade.
O Fold8 procura consumo de conteúdo, mobilidade e entretenimento.
O Flip8 mantém o formato compacto, com 180 gramas, tela interna de 6,9 polegadas e painel externo de 4,1 polegadas.
Em vez de vender três tamanhos, a Samsung está vendendo três narrativas.
E narrativas segmentam preços maravilhosamente bem.
A IA entrou justamente onde o hardware começou a ter dificuldade para surpreender
Há uma razão estrutural para Galaxy AI ocupar tanto espaço na comunicação desses aparelhos.
Smartphones modernos já possuem telas excelentes.
As câmeras são excelentes.
Processadores são absurdamente rápidos.
Conectividade deixou de ser uma grande novidade.
Baterias evoluem, embora mais lentamente.
Até dobradiças chegaram a uma maturidade muito maior.
Fica cada vez mais caro produzir uma sensação de salto geracional apenas modificando hardware.
A IA resolve parte desse problema porque permite que **o mesmo componente físico receba novas funções ao longo do tempo**.
Resumir informação.
Interpretar contexto.
Editar imagens.
Organizar tarefas.
Pesquisar.
Automatizar ações.
Ajudar na escrita.
Entender aquilo que está na tela.
Combinar informações provenientes de diferentes aplicativos.
É uma maneira de fazer um telefone parecer novo sem necessariamente trocar a câmera, a tela ou a bateria.
Para fabricantes, isso é extremamente valioso.
Só que inteligência artificial também possui custo físico
Existe outro lado dessa história.
A IA parece software, mas a infraestrutura por trás dela é brutalmente material.
Modelos exigem aceleradores.
Aceleradores consomem memória.
Servidores precisam de armazenamento.
Data centers consomem energia.
Redes precisam transportar solicitações.
E parte crescente da experiência também depende de NPUs e processadores especializados dentro dos próprios celulares.
Essa demanda global disputa capacidade fabril com outras áreas da indústria.
Memória, semicondutores avançados, empacotamento e componentes de alto desempenho estão cada vez mais envolvidos numa cadeia produtiva pressionada por data centers.
Portanto, a era da IA realmente pode exercer pressão sobre custos tecnológicos.
O problema seria saltar daí para a conclusão de que o Fold8 Ultra custa R$ 19.399 *porque a IA encareceu chips*.
Não temos elementos suficientes para fazer essa conta.
Preço de varejo não é uma tradução direta do custo de fabricação.
Inclui posicionamento, impostos, câmbio, distribuição, marketing, margem, garantia, desenvolvimento, logística e, principalmente, quanto a empresa acredita que o mercado aceitará pagar.
E essa última variável costuma ser bastante poderosa.
O preço é também uma declaração sobre quem a Samsung acredita que comprará
Nenhuma empresa lança um telefone de quase R$ 20 mil imaginando que ele será a escolha racional da maioria da população brasileira.
O Fold8 Ultra é um produto de nicho.
Sua função comercial não é apenas gerar volume.
Também serve como **halo product**: aquele dispositivo que ocupa o topo da vitrine, concentra tecnologias, chama atenção para a marca e torna os aparelhos logo abaixo comparativamente menos extravagantes.
É psicologia de preço.
R$ 12.599 parece absurdo isoladamente.
Coloque ao lado de R$ 19.399 e subitamente começa a parecer a opção “equilibrada”.
Não ficou barato.
Ganhou um vizinho muito mais caro.
O cérebro humano é uma criatura fascinante quando entra numa loja.
Parcelamento é parte da engenharia do preço
A Samsung sabe que valores desse tamanho não podem ser tratados apenas como preço à vista.
Por isso a estratégia brasileira inclui parcelamentos longos, programas de troca, recompra futura, descontos por armazenamento e parcerias com varejistas e operadoras.
Há opções que chegam a 21, 30 ou até mais parcelas dependendo do canal.
Essa arquitetura financeira reduz a percepção imediata do preço.
R$ 14.599 assusta.
Uma determinada parcela mensal parece administrável.
Depois aparece o valor residual.
Depois o seguro.
Depois a assinatura.
Depois o acessório.
O smartphone premium moderno começa a se aproximar menos de uma compra pontual e mais de uma relação financeira contínua.
E isso é uma mudança importante para o mercado.
A Samsung já está experimentando algo parecido com leasing tecnológico
Programas de upgrade reforçam esse movimento.
Em algumas modalidades, o consumidor paga parte do aparelho durante determinado período e depois pode quitar o saldo, devolver o dispositivo ou trocar por uma geração mais recente, seguindo condições definidas previamente.
É uma lógica muito familiar na indústria automobilística.
Agora está entrando com força no smartphone.
Faz sentido.
Quando o aparelho custa perto de R$ 20 mil, tentar vendê-lo como simples compra de eletrônicos começa a encontrar resistência.
Transformá-lo em mensalidade reduz essa barreira.
O risco é criar consumidores permanentemente presos ao ciclo de atualização.
Você não possui apenas um telefone.
Possui uma posição rotativa dentro de um ecossistema.
A IA completa esse modelo porque também virou assinatura
Os novos Galaxy Z incluem uma oferta temporária do Google AI Pro.
Durante seis meses, compradores elegíveis podem experimentar recursos avançados do Gemini e serviços associados.
Depois, se quiserem manter o plano, há cobrança recorrente.
Esse detalhe é economicamente muito mais interessante do que parece.
Durante décadas, fabricantes de celulares ganharam dinheiro principalmente no momento da venda do hardware.
A indústria atual tenta prolongar essa relação.
Armazenamento em nuvem.
Seguro.
Serviços premium.
Conteúdo.
IA.
Assistência.
Upgrade.
Um telefone de R$ 19 mil pode ser apenas a porta de entrada para uma cadeia de pagamentos posteriores.
A inteligência artificial encaixa perfeitamente nesse modelo porque possui custo operacional contínuo.
Você não compra necessariamente “a IA”.
Compra acesso a ela.
É aqui que começa o verdadeiro risco para o consumidor
Quando recursos importantes migram de hardware para serviços, surge uma dúvida sobre propriedade.
O telefone continuará funcionando daqui a cinco anos.
Mas os recursos que ajudaram a justificar sua compra continuarão?
Serão gratuitos?
Mudarão de plano?
Dependerão da nuvem?
Serão substituídos?
Precisarão de nova assinatura?
A indústria de smartphones passou anos convencendo consumidores a comprar hardware pelo que ele fazia no momento da compra.
A era da IA introduz outra lógica:
compre também pelo que **poderá fazer depois**.
Essa promessa possui valor.
Mas também introduz incerteza.
Especialmente quando parte da inteligência depende de servidores que não pertencem ao usuário.
Sete anos de atualização ajudam mas não resolvem tudo
A Samsung oferece até sete gerações de atualizações do Android e sete anos de atualizações de segurança em partes relevantes da nova família.
Isso é excelente para longevidade.
E deveria ser particularmente importante num aparelho desse preço.
Um smartphone de quase R$ 20 mil não pode ser tratado como descartável depois de três anos.
Mas existe uma diferença entre manter o sistema operacional atualizado e garantir que todos os serviços de IA continuem funcionando exatamente nas mesmas condições durante esse período.
Hardware possui ciclo.
Software possui ciclo.
Serviços possuem outro.
A convergência dos três será um dos grandes problemas de propriedade digital da próxima década.
A IA também pode aumentar a desigualdade entre smartphones
Existe ainda um impacto menos discutido.
Durante muito tempo, a diferença entre celular intermediário e premium estava em características relativamente perceptíveis.
Tela melhor.
Câmera melhor.
Mais armazenamento.
Processador mais rápido.
Materiais mais sofisticados.
Agora surge uma nova camada:
**qual inteligência aquele aparelho pode acessar?**
Quantas funções de IA?
Quais modelos?
Quanto processamento local?
Qual limite na nuvem?
Qual integração com aplicativos?
Qual assinatura acompanha?
Isso pode criar uma segmentação na qual aparelhos baratos não oferecem apenas câmeras inferiores, mas uma **capacidade computacional assistida inferior**.
É uma desigualdade digital diferente.
Não apenas quem possui computador.
Mas quem possui acesso ao melhor copiloto.
Os primeiros beneficiados serão justamente quem menos sente o preço
Executivos, profissionais de tecnologia, criadores de conteúdo e usuários de alto poder aquisitivo tendem a explorar melhor um dobrável grande com multitarefa e ferramentas de IA.
Para esse público, o aparelho pode de fato substituir algumas situações de notebook ou tablet.
Um Fold aberto para revisar documentos, participar de reuniões, editar material, usar dois aplicativos simultaneamente e consultar uma IA possui utilidade real.
Essa discussão não deve cair na caricatura de que todo aparelho caro é inútil.
Ele não é.
O problema está na proporcionalidade.
A pergunta correta não é:
“Um Fold8 Ultra consegue fazer coisas impressionantes?”
Consegue.
A pergunta é:
**essas coisas valem R$ 19.399 para você?**
Essa resposta muda radicalmente de pessoa para pessoa.
O dobrável ainda não virou tecnologia popular
Outra consequência aparece quando observamos a trajetória da categoria.
Celulares dobráveis foram apresentados inicialmente como uma tecnologia que, com maturidade e escala, tenderia a ficar mais acessível.
Isso aconteceu parcialmente.
Existem modelos mais baratos no mercado.
A tecnologia ficou mais robusta.
Fabricantes chineses ampliaram competição.
Mas o topo continua caminhando na direção oposta.
O Fold8 Ultra mostra que a indústria descobriu outra oportunidade: em vez de apenas democratizar o dobrável, pode transformá-lo numa categoria de luxo ainda mais sofisticada.
É semelhante ao que ocorreu com notebooks.
É possível comprar uma máquina competente por alguns milhares de reais.
Também existe notebook de dezenas de milhares.
Maturidade não elimina luxo.
Ela cria espaço para ele.
E a Samsung precisa tomar cuidado para não transformar inovação em inacessibilidade
Há uma tensão estratégica.
A Samsung foi uma das empresas responsáveis por normalizar o formato dobrável no mercado global. Isso lhe deu enorme vantagem tecnológica e de marca.
Mas uma categoria só vira verdadeiramente dominante quando deixa de depender de consumidores dispostos a pagar pelo privilégio de experimentar a novidade.
O preço inicial de R$ 9.199 no Flip8 mostra que o acesso à geração principal continua elevado no Brasil.
Se dobráveis permanecerem concentrados nos segmentos mais caros, poderão se estabelecer como uma excelente categoria premium sem jamais substituir o smartphone tradicional.
Isso não seria fracasso.
Seria apenas um futuro diferente daquele imaginado no começo dessa história.
O que quase ninguém discute: estamos pagando também pela complexidade
Dobráveis possuem duas telas.
Dobradiças sofisticadas.
Estruturas reforçadas.
Painéis flexíveis.
Processos de fabricação mais difíceis.
Mais componentes.
Maior risco de reparo.
Pesquisa e desenvolvimento específicos.
Menor escala que smartphones convencionais.
Existe um preço estrutural pela complexidade.
A indústria tenta reduzir isso com o tempo, mas simultaneamente adiciona novas camadas.
Câmeras melhores.
Chips mais fortes.
Mais IA.
Mais sensores.
Materiais especiais.
Mais armazenamento.
A engenharia consegue baratear uma parte enquanto o marketing encontra outra para sofisticar.
É quase um bug de equilíbrio econômico.
R$ 19.399 também mudam nossa tolerância a defeitos
Quanto mais caro o aparelho, menos aceitável fica qualquer compromisso.
Vinco.
Dobradiça.
Bateria mediana.
Software mal adaptado.
Aplicativo que não aproveita a tela.
Recurso de IA inconsistente.
Qualquer pequena irritação começa a carregar outra pergunta:
“Isso acontece num telefone de quase vinte mil reais?”
É uma consequência inevitável do posicionamento Ultra.
Preço premium cria expectativa premium.
Preço extremo cria expectativa extrema.
A Samsung não está vendendo apenas hardware mais caro.
Está aumentando brutalmente o nível de exigência contra o qual ele será julgado.
A maior novidade talvez seja a própria existência de três Fold diferentes em conceito
O lançamento mostra que o dobrável amadureceu o suficiente para começar a se fragmentar.
Não existe mais apenas “o Fold”.
Existe o Fold para conteúdo.
O Fold Ultra para produtividade.
O Flip para mobilidade e estilo.
Esse é um sinal importante.
Categorias imaturas possuem poucos produtos porque todos ainda tentam provar que a categoria funciona.
Categorias maduras começam a produzir nichos internos.
Notebook gamer.
Ultrabook.
Workstation.
Chromebook.
2 em 1.
O smartphone dobrável está começando a passar pelo mesmo processo.
Esse talvez seja um indicador mais importante de maturidade do que qualquer benchmark.
A inflação da era da IA existe — mas não da maneira mais óbvia
É tentador olhar para R$ 19.399 e culpar diretamente a inteligência artificial.
A análise precisa ser mais cuidadosa.
A IA pressiona infraestrutura.
A corrida por semicondutores pressiona cadeias produtivas.
Processamento local exige chips avançados.
Serviços em nuvem custam dinheiro.
Tudo isso faz parte da equação.
Mas preço também é estratégia.
A Samsung criou um Fold8 convencional que, em determinada configuração comparável, chega até um pouco abaixo do Fold7 anterior.
Ao mesmo tempo, inventou um novo Ultra acima dele.
Portanto, a grande mudança não é simplesmente:
**“IA deixou celulares mais caros.”**
É:
**“IA ofereceu à indústria uma nova camada de valor que pode ser usada para criar produtos ainda mais caros.”**
Essa diferença parece pequena.
Economicamente, é enorme.
O smartphone está virando uma plataforma vendida em camadas
Hardware.
Sistema operacional.
Ecossistema.
IA.
Cloud.
Seguro.
Programa de upgrade.
Assinaturas.
Acessórios.
O consumidor não compra mais apenas um retângulo dobrável.
Compra acesso a uma pilha inteira.
E quanto mais profunda essa pilha, mais difícil comparar preços olhando apenas para a etiqueta.
É exatamente por isso que a nova geração Galaxy Z merece atenção mesmo de quem jamais gastaria R$ 19 mil num telefone.
Esses aparelhos funcionam como laboratório.
Tecnologias, modelos comerciais e mecanismos de monetização que aparecem primeiro no topo frequentemente descem depois para o restante da indústria.
O que hoje parece extravagância Ultra pode virar padrão daqui a alguns anos.
Inclusive a assinatura.
O Fold8 Ultra não é o problema. É o termômetro
Não há nada intrinsecamente errado em existir um smartphone de R$ 19.399.
Produtos de luxo existem em praticamente todas as categorias.
O ponto interessante é o que sua existência revela.
O mercado acredita que existe consumidor disposto a pagar esse valor por uma combinação de hardware dobrável, câmera, desempenho, IA, status e ecossistema.
E a Samsung acredita que consegue diferenciar suficientemente essa experiência para sustentar outro degrau acima do antigo Fold.
Se funcionar, concorrentes perceberão.
E preços extremos possuem uma característica conhecida:
depois que uma empresa descobre que o teto não era realmente o teto, outras começam a procurar a escada.
A era da IA não está apenas deixando os telefones inteligentes. Está redefinindo quanto inteligência pode custar
Os novos Galaxy Z representam uma fase interessante da indústria móvel.
O hardware dobrável amadureceu.
O Fold8 finalmente experimenta uma geometria diferente.
O Flip8 fica mais leve e refinado.
O Ultra concentra a melhor tecnologia e cria um novo topo.
Galaxy AI amarra a narrativa.
Serviços estendem a monetização.
Planos de upgrade reduzem a percepção do preço.
Tudo faz sentido isoladamente.
Quando colocamos as peças juntas, aparece algo maior.
O smartphone premium está deixando de ser apenas um dispositivo sofisticado e se transformando numa **plataforma pessoal de computação vendida em camadas**.
Isso cria oportunidades extraordinárias.
Também cria um mercado em que “topo de linha” parece ter perdido o significado.
Sempre pode existir outro topo acima.
O Fold8 Ultra de R$ 19.399 talvez não seja simplesmente um caso de inflação tecnológica.
Ele pode ser o sinal de algo mais importante: a indústria descobriu que inteligência artificial, serviços e formatos especializados permitem continuar expandindo a fronteira do premium mesmo quando o smartphone tradicional já parece tecnicamente maduro.
A tecnologia aprendeu a dobrar.
**O teto de preço também.**
**GALAXY Z FLIP8 — A PARTIR DE R$ 9.199**
**GALAXY Z FOLD8 — A PARTIR DE R$ 12.599**
**GALAXY Z FOLD8 ULTRA — ATÉ R$ 19.399**
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